Design de Autor vs Design !?

A reflexion about “Design” and “Author Design”.

Devaneios “… de que vale …” (2007)

27/Dez/2007 5:03

Ouço-te mas não te vejo.
Quero-te ver, mas não te ouço.

De que vale viver, se não se vive? Para que sonhar se não se sonha?Palavras proferidas, actos desfeitos!

De que vale cantar uma vida, se não a temos? De que vale planear a vida se não a sonhamos?
Quero voar, mas não tenho asas.
Quero-me prender mas não tenho as correntes.

Tenho isto aqui que não me sai.
Tenho outro isto aqui que não quero que saia.
Medo de ter, medo de perder, medo de sonhar, medo de viver,medo de sobreviver,medo de sofrer, medo de alcançar, medo de esperar,medo medo medo…

Eu quero-te, já tu disse. Tu não me queres, já mo disseste.

De que vale esperar, se a espera é o infinito?
De que vale amar se não se é amado?
Para que falar, se não se fala?
Para que?

Quando te vejo, não consigo falar, não consigo respirar, treme-me os joelhos, bate-me o coração.
Não te consigo escrever, não te consigo fugir. Quero o teu beijo, quero o teu sorriso, quero a tua solidão, quero a tua paz, quero o teu desalento, quero a tua paixão, quero a tua tristeza, quero…

Quero e mais quero, mas não tenho mais do que isso…Palavras…
Profiro-as, mas nada obtenho delas. Dito-as, mas de nada me absolve.
Posso até gritá-las, mas de nada me adianta.

Só tempo aqui está. Está aqui e para ficar. Ou agarro-me ao Tempo, ou agarro-me ao desespero.
E de que me adianta agarrar seja a qual delas for?
Para que voar no tempo, se este veio para ficar?
Para que aproximar-me do desespero, se com este não consigo viver?

Para que respirar se não me dás desse teu ar?
Para que sonhar, se aos teus sonhos não consigo alcançar?

Dizem-me para rebolar como um cachorro para te mostrar a minha doçura, mas tu já a tiveste. Tu já a conheces.

De que vale, cantar como uma Madonna, se ao nível não chegar.

Sonho e quero ser feliz.
Mas não sei sonhar, muito menos ser feliz!

Quero-te abraçar (já tu disse…)
Mas não  sei onde estás.

Deixa-me entrar, estou a bater à porta.
Trouxe a minha bagagem, quero aí ficar…
Não. Dizes que não…
Não me deixas ficar, não me deixas alojar.
Porque?

Isto pertence-te? E o teu isto a mim poderia pertencer. Tu dizes que sim.
Mas dizes também que isto já não te consola. Já não te pode fazer feliz.

Quero fugir!
Quero partir!
(mas partir para onde?)
Sinto que o meu corpo já aqui não pertence.
Sinto-me um zombie deste mundo.
A minha alma já partiu (ou já quer partir)

Estou à espera de que?
Devia também partir com a minha alma. Certamente estaria melhor do que  estar aqui, onde estou…
Quero-me  libertar, tu disseste-me para me libertar.

Jorro uma lágrima, jorro outra lágrima. e continuo a jorrar…
De que foi feito a palavra amor se não a podemos utilizar?
Para que foi feito a palavra amor se não a posso utilizar? Não contigo, não agora.

Quero-te, nem sabes como.
Ou melhor, saber tu sabes. Mas parece que queres fingir não saber.
Já te mostrei isto. Mas de nada valeu.
Mostro-te que tenho aqui a bagagem toda e que tenho intenções de permanecer o resto da minha insignificante vida contigo. Mas de nada valeu.
Posso continuar a bater à porta, mas parece que não passarei da porta.

Qual é o sentido?
Qual o sentido das coisas?
De que vale?

Quero sonhar, mas não sei sonhar.
Ensinas-me?
Pois, não me parece que o queira. E jorro outra lágrima.

Parece que já não sou o único à tua porta.
À frente dela, gera-se uma multidão. Só rapazes. Também eles querem entrar. Também eles te querem. Uns mais descomprometidos que outros, uns mais despreocupados que outros, mas todos querem entrar.
Já não estou sozinho. Fico para trás, só um poderá entrar, mas já não sou o primeiro nessa fila.
E agora?
O que posso fazer?
Agarro-me ao tempo?
Agarro-me ao desespero?
Agarro-me a que?
Ao vazio?
Ao sonho que já parece não existir?
A ti? (já só te tenho ao longe)

Recordo-te.
Recordo os teus beijos, os teus abraços, o teu carinho, o teu tormento, a tua compreensão, a tua cara, as tuas mãos, os teus pés de princesa, o teus sonho, o teu eu. Vejo as fotos do meu e do teu isto, recordo o tempo passado em Aveiro ou no porto. Recordo a Foz, o verão. A primeira foto e a última. Recordo Leça e a praia. recordo Lisboa e o Comboio. Recordo o Gerês e a casa de Bonecas, recordo o Algarve e o hotel. recordo-te a ti, recordo-me a mim. recordo o teu sorriso, fantástico e alegre. Dos poucos sorrisos contagiantes. Só te pensar nele levanto ligeiramente o meu também.Sinto falta de o ver, sinto faltar de sorrir contigo.Recordo todas as prendas que preparei para ti. Recordo as tuas reacções sorridentes a recebe-las. Recordo-me de Valongo, e de S.Roque. recordo-me da tua porta e da minha. Recordo-me da tua casa e da minha. Recordo-me do Oceanário, e do aconchego que tinhas à minha beira. Recordo-me de dormir e te virar quando eu mudava-me…Recordo-me de Angeiras, recordo-me de todos os locais com que estive contigo.
Recordo-me da primeira vez que te vi e da insistência da tua prima para eu falar contigo. Não dizias “piu”, por estares tão envergonhada, e pouco dizias. Levavas aqueles tamancos nos pés, calças de ganga e uma camisola laranja. Quando te vi ao longe, até pensei que eras uma conhecida minha, que também viria ao jantar. Mas não, eras tu. Parecia o destino que nos ia unir, mas não…
Ou melhor, eu é que quebrei esse destino. Basta um pequeno gesto e tudo se acaba, tudo muda. Basta um erro e já não há segunda oportunidade…

E tudo fica como recordação, apenas recordação.
Não há mais 2ª oportunidade, não há mais outra chance. O que foi apenas como recordação pode permanecer e nada mais.
E dói-me isto por isso. Sei que o erro foi meu, mas dói-me. Queria voltar atrás, epço ao tempo para andar para trás, mas já não posso, já não me permite.

Cometi um erro, e agora?
Cometi a perda para a oportunidade da minha própria felicidade.
E agora?

Agora?
Agarro-me ao tempo, ou ao desespero!

O tempo anda apenas para a frente e lentamente. O Desespero corre para todo o lado aos pulos de uma maneira frenética e sem sentido, pronto a explodir.
Qual escolho? Qual quero escolher?

Quero fugir, quero perder-me. Quero desaparecer, quero…

Queria muita coisa, mas de nada me serve querer.
Para mim, parece que querer já não é puder.

Tenho um mau feitio, tenho um mau perder, tenho…
Sei que não te mereço, deves estar melhor sem mim.

Espero que sejas feliz, ou melhor tu sabes que vais ser feliz.Aproveita bem aquele que te fizer feliz, tu mereces bem melhor do que o que eu posso oferecer. Tu vais ser feliz. O teu sorriso sempre permanecerá na minha mente, no meu isto. Sempre me lembrarei de ti. Nada nem ninguém conseguirá chegar até aos teus calcanhares.Mas o meu tempo já passou. não digo (como tu já o disseste), que foram 3anos perdidos, bem pelo contrário, recordo com alegria todos os momentos passados contigo.Mas o meu tempo já passou. ficarás sempre no isto alojada, ocuparás sempre um espaço nele. Já tens renda vitalícia. E possivelmente só serás uma memória. Uma memória boa, uma memória óptima, mas uma memória. Ficarei à tua porta, a ouvir a tua respiração, o teu bater de coração, o teu sorriso, as tuas gargalhadas, a ti. No meu canto ficarei, na sombra sem que me vejas, mas estarei sempre a escutar-te.Estarei sempre por perto, de um modo que não me vejas, mas que eu esteja lá.

Estou farto. Estou aqui.

Uffff

Quero fugir, quero desaparecer, quero… bem, quero…

……

SP

4 comentários»

  unknown wrote @

não devias desistir se é assim tao importante para ti!

  Sérgio Paulino wrote @

“Desconhecido”, desculpa a intrusão mas procurei-te pela net para ver de onde eras. E parece-me que sejas de Carnaxide, correcto?

Realmente não desisti, simplesmente passado 3 anos e uns trocos segui (ou estou a tentar seguir) outro rumo.

O que nos faz feliz? O que é a felicidade? Por onde é o caminho para ela?
Bom, devaneios tais que já nem me lembrava deste “pequeno” texto. Tentarei pegar novamente no blog para retomar ao tópico principal.

Obrigado por me relembrares da existência dele…

  unknown wrote @

Se estás a seguir outro rumo é porque desististe…. Inda para mais esqueceste-te deste “pequeno” texto.

  Sérgio Paulino wrote @

À coisas que devemos esquecer, por nos terem magoado demais. Naturalmente que o que escrevi não esqueci, nem nunca me vou esquecer, serve de experiência para a minha vida. Mas por vezes devemos seguir outros caminhos em prol da nossa própria felicidade. Tive a lutar contra algo durante 3 anos e não consegui, e durante esse tempo todo fui só infeliz, não crescendo nem amadurecendo a nível pessoal nem profissional. Por isso é tempo de virar a página e começar um capítulo novo. E altura de ser feliz 😉

Mas eu julgo que percebo o teu ponto de vista, contudo estou a experimentar um novo rumo em prol da minha própria felicidade… Sabe bem ser feliz por vezes, não acha?


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: