Design de Autor vs Design !?

A reflexion about “Design” and “Author Design”.

E agora?

O objectivo principal da criação deste blogue, foi para promover um espaço reflexivo sobre uma temática imposta por mim mesmo. Contudo, entreguei hoje a mini-mini-mini tese sobre o tema, e agora?

Agora, só terei uma de duas hipóteses. Ou transformo este blogue, num espaço pessoal e reflexivo sobre design e sobre aquilo que me convier. Ou então encerro-o para todo o sempre, cravando uma cruz na sua sepultura.

Como a segunda hipótese parece muito massacrante e como gostei da experiência de partilhar pensamentos (apesar de só ter tido o feedback do Pedro Amado, e por isso te agradeço), possivelmente irei converger este blog, num espaço pessoal. terei portanto de mudar o nome, para algo mais ambíguo como “Ressabiator” ou o futuro “Mocamfe”.

Bom, por isso, irei brevemente mudar o nome a este espaço (se é que isso é possível) ou então postar um endereço para o novo blogue que criar. Por isso, ouviram novas noticias da minha parte.

Em relação à mini mini mini tese, deixarei transcrita abaixo.

Prefácio

“O facto do design se ter tornado mais acessível a todos fez com que a disciplina do design pudesse ter uma palavra a dizer sobre toda a gente, mas também que toda a gente tivesse uma palavra a dizer sobre o design – por outras palavras, deu origem a uma opinião pública. Portanto, se com os meios de produção do design acessíveis a toda a gente, se espera que um designer saiba mais do que simplesmente fazer uns logótipos no seu computador, com os meios de edição e distribuição alargada igualmente acessíveis – através dos blogues, por exemplo –, espera-se que esse designer também tenha uma opinião, ou que o seu trabalho consiga sustentar uma opinião.” (Mário Moura, in ressabiator)

Making a Way In…

“Não saberia-mos representar “X” se nunca tivéssemos visto um “X”.

(…)

Um autor no sentido de criador, no sentido de alguém que inova, não existe. No entanto, autor no sentido de alguém que compõe, no sentido de alguém que recria fazendo uma abordagem pessoal e única, existe sempre e deveria ser sempre reconhecido pela sua expressão.” (Tiago Cruz)

Certamente saberemos que estando no mundo do Design e sendo esta uma área exigentemente instruída de matéria inovadora e original, seremos autores daquilo que produziremos. Mas esta denominação poderá ser deveras enganadora em variadas situações.

Somo-lo, visto termos uma maneira de pensar própria e temos tendências, senão seríamos todos rótulos do mesmo produto. O que não é necessariamente mau, visto desse modo promover a crítica e a reflexão sobre o Design em si e sobre a Autoria do material produzido pelos Designers. Mas seremos verdadeiros autores no seu sentido lato? Ou seja, ao produzirmos um cartaz onde é dito como nosso, como poderemos ser totalmente autores se utilizamos tipografia feita por tipógrafos, imagens de fotógrafos, slogans de pessoas ligadas ao marketing ou ao branding? Não deveria o mérito desse cartaz ser distribuído pelos vários autores? Afinal o Designer, por vezes, apenas reúne vários elementos e compõe-nos segundo uma estética e uma linguagem específica de forma a transmitir alguma mensagem ao seu público-alvo. E sendo a tipografia e a imagem partes cruciais da materialização do objecto de Design e sendo que não são sempre produzidas pelo Designer e ao seu invés recolhidas de outros autores, não será a centralidade de mérito de uma determinada obra um pouco forçosa?

E sendo essa autoria tão central, não é abusiva por parte de quem a utiliza? Levando por vezes ao prolongamento desta imagem, contrariando o que de melhor o Design tem? Contrariando assim, uma melhor comunicação perante o público em questão e elevando o valor de autoritarismo, a modos de confundir função com gosto?

Mas não devemos ser elásticos consoante o trabalho que aparecer à nossa frente e abstrair-nos dos “nossos” ideais servindo da melhor forma o cerne do Design?

Certamente, todos temos uma maneira mais própria de resolver um problema. Mas dentro dessa limitação, não deverá ser larga o suficiente para ser elástico e responder da melhor forma o Design, o Designer e o Cliente?

Design de Autor – Parte 1

The problem with the authorship model is that it replaces a tangible engaged client with a vague notion of a market, passively waiting to consume (or more likely ignore) the self-generated work of the designer (as author).

(…)

The goal in life is to quit responding to societal pressure, fear, and desire, and to attempt to gain a deeper understanding of one’s true nature.” (Dmitri Siegel)

Penso que, vários Autores sonham com o dia em que possam fazer apenas aquilo que gostam. Contudo, serão estes Designers (refiro-me apenas a estes), verdadeiros Designers quando atingirem tal feito?

Normalmente só o faz quem o pode… Mas não deveria haver uma conduta para o Design? Sei que é difícil estabelecer parâmetros de como se produz Design dado o seu ecletismo, mas Design é comunicação da melhor forma possível, consoante o desejo do seu trabalho. E esse factor deverá ser esquecido para dar guarda aos tiques do Designer? Para dar voz à palavra “Gosto” em vez da função permanente do Design, a Comunicação?

Relembrando uma experiência pessoal em estágio, recordo um trabalho que me “passam” para as mãos de forma a produzir um novo objecto com esse material, à qual pergunto a razão de um pormenor do objecto que me tinham “passado”, onde me foi respondido: “porque sim”. Falando de um Designer para outro, seria esta resposta válida no mundo onde nos inserimos, o Design?

Confesso que o pormenor que estava a pedir satisfações não teria grande relevância de existência (este pormenor era levar um “S” à margem, cortando-o a meio), se tivesse (e poderia ter) haveria certamente uma razão evidente e não apenas um “porque sim!”.

O uso abusivo de uma fonte como a Helvética, poderá levar à tradução de uma imagem. Neste caso (em Portugal), estaríamos a falar do Designer Francisco Providência, onde utiliza para todos os seus trabalhos a mesma fonte, alinhamentos iguais de ofícios de empresas distintas, onde (pessoalmente) em muitos casos se torna enfadonho e pouco refrescante. E não deveria ser o Design inovador? Ou apenas uma solução standard que se possa aplicar em todos os trabalhos apresentados, como se de um template se tratasse?

Designers com tiques demasiadamente demarcados começam a ser vistas pelas pessoas como apenas questões de “gosto”, como se de Arte se tratasse. E não será essa envergadura desses Designers impertinente no mundo onde se inserem?

Aprendi na escola que Gostos se discutem, mas ao mesmo tempo que não são muito chamados para o Design, no sentido que se eu gosto outra pessoa não gosta e pronto, fica assim resolvida a questão. E Esta será mais profunda que aparenta. Ou seja, o gosto poderá e deverá coexistir num objecto de Design. Também Este de estética se trata, mas a questão da resolução de um objecto deve ser mais funda do que apenas um gosto pessoal. Refiro-me a estas problemáticas visto que, tal como diz Tiago Cruz, “Em termos de Design, o Designer é sem dúvida um mediador, no sentido em que o processo de Design é um processo de negociação entre cliente, Designer e público-alvo. Ao mesmo tempo, o resultado final deste processo de negociação é um produto, serviço, ou ambiente, criado (materializado?) por uma pessoa específica. Esta pessoa é o autor deste produto, serviço ou ambiente”. Ou seja, o Designer não trabalha sozinho e apenas para si, senão não seria Design. E mesmo que o cliente de um Designer seja ele mesmo, haverá sempre um público-alvo em visto, senão Este seria um artista ao invés de um Designer.

Certamente há pessoas que têm uma linguagem mais ilustrativa do que outras, mas será que tal linguagem servirá para todo o tipo de trabalho de Design? Pensemos num jornal, será que funcionará um jornal com uma linha mais orgânica, liberta e ilustrada fugindo a uma linha mais “Editorial”, regular e fixa sendo que o seu público-alvo é uma faixa etária madura? Ou será que essa mesma linha de produção (refiro-me à ilustração) se poderá traduzir num cartão pessoal de uma empresa de peças de mecânica? Ou numa empresa sóbria e de investidura séria?

Será que o Designer que utiliza Helvética para todos os seus trabalhos só por achar que essa fonte é mais do que perfeita, é bom Designer? Traduzindo esta questão, não me acredito que a Helvética seja a melhor apropriada em todos os campos / áreas. Poderá resultar em grande parte dos campos onde for inserido (não é por acaso a fonte mais utilizada e conhecida a nível mundial), mas não deveria o Designer (consoante o trabalho) procurar pela sua (ou de outrem) lista infindável de fontes, para se apropriar da que ache mais adequada ao trabalho em questão? Sei que utilizar sempre a mesma fonte porque é naturalmente boa é benéfico para o processo do trabalho, visto ser menos uma preocupação para o trabalho. Mas, o Designer deverá saber comunicar uma mensagem da melhor forma possível, levando a ter que passar pelos estudos e testes de qual seria a fonte mais adequada para o trabalho em questão.

Como Designers, estamos constantemente a tentar vincar a “ideia”, tentando sempre arranjar o “pitch. Mas esta “nossa” vontade juntamente com uma forte e exagerada força de intenção, ou mesmo desejo de a elevar aos “céus”, será que não chega ao exagero?

“Nós somos uma imagem, e uma imagem é o que nós somos”. Mas e o Design?

Como designers não devemos pensar no melhor para “Ele”, apesar do resultado para a nossa imagem ou vaidade pessoal? Ou mesmo propaganda ou estratégia pessoal?

Já é certo que design, tal como outras áreas, é como Andy Altman diz: “Design is all about making decisions”.

Segundo Adrian Hanft, um bom designer deve ter pelo menos 5 características durante a sua carreira: Curiosidade, Paciência, Simpatia, Humildade e Boa Comunicação.

Segundo esta ideia, será que ainda se encaixa neste mundo, um Designer “Autoritário”? E muitas vezes, um Designer Artista? Abusando do Design (segundo o que deverá ser) e aproveitando-se do gosto pessoal.

The designer/client relationship is integral not only to the historical fate of a designer’s work but to the creative process itself. This is what makes the graphic design process unique.” (Dimitri Siegel).

Tal como o Designer nos sugere, o Designer não está sozinho no mundo, não trabalha apenas para si, mas para os outros.

Parte 2

Ainda assim acredito na individualidade e pensamento próprio. Senão seríamos todos máquinas operárias, transmissoras de mensagens.

Devemos por isso, como Andy Altman disse: “Strugling to produce personal work”. Produzindo, tal como ele, “Andy’s Shite”, ou “Designer Shite”. Certamente que não deveremos perder uma individualidade que nos é tão pessoal. Esse é um dos factores do Design, o que leva à inovação e originalidade, consoante a linguagem de cada um. Mas isso não implica passarmos a artista. Ou melhor, se isso acontece que seja assumido e deixemos de nos tratar como Designers. Porque se nos assumimos como Designers, devemos tratar a matéria como tal.

while theories of graphic authorship may change the way work is made, the primary concern of both the viewer and the critic is not who made it, but rather what it does and how it does it.”(Michael Rock).

Com isto e em termos conclusivos, acredito que devem ser Autores todos os Designers, mas não de uma forma autoritária ou assumindo um papel artístico, como fui criticando ao longo desta mini dissertação. De que vale nos denominarmos como algo a que não correspondemos? Quando num cartaz pretendemos que o título seja visível devemos assumir isso aumentando-o de margem-a-margem e não colocando apenas a um corpo 24pt ou 30pt porque segundo as regras já é um tamanho grande.

“Foucault imagines a time when we might ask, ‘What difference does it make who is speaking?’. The notion that a text is a line of words that releases a single meaning, the central message of and author/god, is overthrown.” (Michael Rock).

Tal como o Autor citado transcreve, independentemente do protagonismo, os Designers devem produzir coisas, e serem Autores não por “elevação de ego”, mas por terem realmente criado ideias / mensagens importantes.

E como é referido por Pedro Amado, a pertinência da figura “Design Autor” como elo para a crítica e reflexão. Não querendo parecer, uma referência de tiro ao alvo (do “Designer Autor”), mas como alguém que “produz coisas”.

“A text is… a multidimensional space in which a variety of writings, none of them original, blend and clash. The text is a tissue of quotations… The writer can only imitate a gesture that is always anterior, never original. His only power is to mix writings, to counter the ones with the others, in such a way as never to rest on any one of them.”(Roland Barthes).

Ou seja, o Designer ser original é traduzir uma mensagem de uma forma diferente e inovadora, transcrevendo a noção do que é uma cadeira de uma forma diferente. A representação desta será sempre um objecto com quatro pernas, uma superfície para sentar e um encosto. Dentro, destes limites a sua representação é infindável. Poder-se-á reproduzir formar sempre novas, mas o cerne da sua essência nunca mudará e provêm dos primórdios da humanidade. Sendo que, quando se pensa numa cadeira, o seu aspecto visual poderá ser diferente de pessoa para pessoa, contudo o seu conceito não mudará. Com isto, quero dizer que, o Designer deverá manter sempre uma individualidade perante os outros, contudo não deverá esquecer-se do que deverá o Design cumprir na comunicação, sendo que será uma luta insistente de algo que já foi criado e apenas está à espera de ser traduzido de uma forma mais apelativa, organizada ou estruturada.

Bibliografia

“Real life happens between blog posts and e-mails” (Lee LaFever).

DesignObserver (blogue editado por Michael Bierut, William Drenttel, Jessica Helfand);

Ressabiator (blogue editado por Mário Moura);

BeADesignGroup (blogue editado por Nate Voss, Adrian Hanft, Bennett Holzworth, Paul Berkbigler, Donovan Beery);

Eye (Revista);

AIGA (Revista);

Texto.fba.up.pt (blogue editado por FBAUP);

DesignLab (blogue editado por Pedro Amado);

MarkBoulton blog (blogue editado por Mark Boulton);

“Editorial Design” (livro produzido por Yolanda Zappaterra).

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2 comentários»

  pedamado wrote @

Sérgio:

Força. Não desistas do Blog. Migra, muda de nome, muda o tema. mas mantém-te por aqui.

Parabéns pela entrega da Mini-tese.

  Sérgio Paulino wrote @

Obrigado Pedro, grande amigo.
Sei que não somos muito chegados, mas trato-te por amigo, porque é o que tu és. É a forma como tratas mesmo aqueles que não conheces. E aqueles que acolhes no pseudo ex-gabite do técnico de Design.
Parabens por seres como és 😉

Sim, já arranjei um novo nome. Tive de criar um novo wordpress, mas já tá em andamento. Gostei desta experiência e vou continuá-la.
Mas penso que sou um amador. Não conseguirei acompanhar a tua pedalada de publicações. Mas a ver vamos.

Deixo uma pista: “Dersepa”.

Mas futuras novidades darei por aqui.

Em relação à mini (pseudo) tese, não sei se estou muito confiante com o seu conteúdo. MAs o Mário poderá dizer melhor do que eu. Espero que dê para um 10 pelo menos…

Bom, abraço e obrigado Pedro.

SP


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